A prisão do ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) pode provocar uma mudança na futura composição da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Caso a nova prisão sirva de argumento para a Justiça Eleitoral indeferir sua candidatura, os 197.178 votos recebidos por ele poderão ser anulados, obrigando a um novo cálculo do quociente eleitoral que distribuiu as 70 vagas de deputado estadual.
O caso pode resultar na perda de duas cadeiras da Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP). Em contrapartida, PSD e Avante podem ganhar cadeiras. O PT também pode ganhar uma vaga, dependendo do cálculo.
Recurso no TSE pode mudar resultado
A candidatura de Canella foi aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), mas o Ministério Público Eleitoral (MPE) recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para reverter a decisão. O processo aguarda análise, sob relatoria do ministro Sebastião Reis Júnior.
Inicialmente, o MPE havia se manifestado a favor do registro. A posição mudou após novas informações sobre investigações policiais envolvendo o ex-prefeito e suspeitas de ligações com milícias na Baixada Fluminense.
Ao autorizar o registro, o TRE-RJ entendeu que as provas apresentadas não demonstravam que uma organização criminosa havia colocado sua estrutura a serviço da campanha de Canella.
PSD e Avante podem ganhar vagas
Segundo advogados eleitorais ouvidos pelo Agenda do Poder, a eventual exclusão dos votos pode levar a Federação União Progressista a perder duas cadeiras. Além do próprio Canella, o deputado Rafael Picciani (União Brasil) também poderia perder a vaga, segundo o advogado Vinícius Cordeiro.
Entre os possíveis beneficiados está Cláudia Vasconcellos (PSD), primeira suplente do partido, que recebeu 31.386 votos. Outra possível eleita é Erika Coelho (Avante), com 16.488 votos.
Canella pode ser diplomado mesmo preso
Mesmo que permaneça preso até 18 de dezembro, data prevista para a diplomação dos eleitos, Canella poderá receber o diploma caso não haja decisão judicial que impeça o ato.






