PF investiga Bacellar por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a frigorífico em Campos dos Goytacazes

A Polícia Federal pediu a abertura de inquérito para investigar o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), por suspeita de lavagem de dinheiro. A decisão ocorre após a perícia nos celulares apreendidos com ele apontar indícios de que seria sócio oculto de um frigorífico em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.

As suspeitas surgiram durante a análise dos aparelhos apreendidos quando Bacellar foi preso na investigação que apura o vazamento de uma operação contra o Comando Vermelho.

Segundo a PF, conversas encontradas nos celulares indicam possível atuação oculta dele no Frigorífico Grandbull, empreendimento com capital social superior a R$ 5 milhões e estrutura equivalente a seis campos de futebol. Formalmente, o proprietário do frigorífico é o advogado Jansens Calil Siqueira.

Conversas sob análise

 

Em uma das mensagens analisadas pelos investigadores, Jansens escreve:

“Amigo, bom dia! Vou fazer um churrasco sábado aí em casa. Se puder, almoce com a gente. Vou chamar o principal cliente do frigorífico. Queria muito lhe conhecer”, escreveu. 

Para a Polícia Federal, o conteúdo das conversas aponta que Bacellar teria papel relevante na empresa, seja como articulador nos bastidores, seja como possível investidor.

Em novembro do ano passado, Jansens enviou outra mensagem:

“Estou precisando de um valor considerável para fazer a desossa aqui no frigorífico. Haveria possibilidade de sua ajuda? Forte abraço, irmão. Estamos juntos, sempre”. 

Segundo o relatório da PF, a mensagem indicaria que o empresário recorria a Bacellar quando havia necessidade de aporte financeiro.

A investigação também aponta que, em 6 de setembro de 2025, Bacellar encaminhou ao advogado o Parecer nº 4636928 do Ministério Público, que tratava de atos de improbidade administrativa e mencionava possível participação dele como sócio oculto na empresa.

Empréstimo da AgeRio

 

A Polícia Federal também quer apurar se Bacellar teria usado influência para facilitar um empréstimo milionário concedido pela Agência de Fomento do Estado do Rio (AgeRio) ao frigorífico.

Em 2023, Jansens declarou:

“Lá atrás, peguei R$ 1,5 milhão, mas já paguei. Peguei o empréstimo com a Agerio, depois Sicoob, paguei. Agora só tenho Sicoop”.

Evolução patrimonial

 

Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a evolução patrimonial de Bacellar.

De acordo com dados declarados à Justiça Eleitoral, o patrimônio passou de R$ 85 mil, em 2018, para R$ 793 mil, em 2022, um aumento de quase dez vezes entre uma eleição e outra.

A PF afirmou que o patrimônio pode ser maior do que o oficialmente declarado e considera que há indícios de incompatibilidade com rendimentos lícitos.

Estão sob análise, além do frigorífico:

  • uma mansão em Teresópolis;
  • um terreno de 70 mil metros quadrados em Campos dos Goytacazes;
  • dois apartamentos de alto padrão, um em Copacabana e outro no Leme.

Investigação anterior

O Ministério Público Estadual já havia investigado a relação de Bacellar com o frigorífico, mas o inquérito foi arquivado pelo Conselho Superior do MP.

Agora, com as novas provas extraídas dos celulares, a Polícia Federal abriu novo procedimento para apurar possível lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

O que dizem os citados

Em nota, a defesa de Rodrigo Bacellar afirmou que “após uma ação açodada e arbitrária da autoridade policial, com graves falhas, fica nítida a tentativa de criar novos fatos, também rasos, com novas ilações, como imputar ao deputado imóveis e negócios que nunca foram dele.”

“Além de sem amparo na realidade, a autoridade policial tenta oficializar prática proibida – a pesca probatória.”

A reportagem também procurou Jansens Calil Siqueira e o Frigorífico Grandbull, mas não houve resposta até a última atualização deste texto.

Por g1

Compartilhar

WhatsApp
Facebook
Telegram
Email

Deixe um comentário

Theo Vieira
Pós graduado em História do Brasil pela Universidade Candido Mendes e Graduado em Comunicação Social, com habilitação para Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida. Atua como jornalista e apresentador dos programas “Super Manhã” de Segunda a Sexta das 5h às 07h e o “Sabadão da Nossa Rádio”, todos os Sábados de 09h ao meio dia, pela Nossa Rádio FM.