Painel da Violência, da Secretaria de Estado de Saúde, mostra que 75% das agressões físicas são contra mulheres

Plataforma digital concentra notificações, em todo o estado, sobre atendimento a vítimas de violência

Neste mês de março, o Mês da Mulher, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) alerta que, em 2026, até 17 de março, dos mais de 12 mil casos de violência interpessoal já registrados em unidades de saúde do estado, seja ela física, psicológica ou moral, 9.108, cerca de 75%, foram contra mulheres. Em 2025, do total de 81.094 casos de violência interpessoal notificados em unidades de saúde no estado, 59.636 foram contra mulheres, ou seja, cerca de 73% dos casos.

Especificamente em relação à violência física contra mulheres, em 2026 já foram registrados 5.391 casos, 75, 57% do total de 7.134. Os casos de violência física contra mulheres, em 2025, chegaram a 31.672, cerca de 77% das 41.249 registradas, no total, em todo o estado.

É importante observar que nesses números não estão incluídas as violências autoprovocadas. Estas somaram 3.128 em 2025, das quais 2.230 (71%) relacionadas ao sexo feminino.

Os dados estão no painel de Violência Interpessoal/Autoprovocada, no site da SES-RJ. Lançado pela Secretaria, em agosto de 2025, a plataforma digital concentra dados de notificações de violência em unidades de saúde e é associada ao Observatório do Feminicídio, coordenado pela Secretaria de Estado da Mulher para embasar políticas de enfrentamento às violências de gênero.

O painel classifica as informações com base nas notificações realizadas pelos profissionais em todo o estado do Rio de Janeiro. Quando uma pessoa dá entrada com sinais de violência num serviço de saúde, é acolhida pelos profissionais que notificam o caso e registram na ficha a violência principal sofrida pela pessoa, mesmo que ela tenha sofrido vários tipos de agressões em uma mesma situação. Esses dados permitem compreender e tipificar a violência sofrida.

“Esses dados, que já são impressionantes em relação à violência contra a mulher, ainda não espelham toda a realidade. Sabemos que muitas mulheres sofrem violência e permanecem caladas, sem relatar as agressões sofridas, ainda mais se não são ainda agressões físicas, mas perseguições psicológicas, assédios, ameaças. É preciso que as mulheres que sofrem violência busquem as unidades de saúde, onde devem ser devidamente acolhidas por equipe multiprofissional da Atenção Primária”, observa a superintendente de Atenção Primária à Saúde, da SES-RJ, Halene Armada.

Para ver dados do painel, entre no link https://monitorar.saude.rj.gov.br/, clique na aba “Vigilância em Saúde” e escolha a opção “Violência Interpessoal/ Autoprovocada”.

Violências sexuais

Em relação às violências sexuais contra mulheres, em 2026, até 17 de março, foram notificados 1.089 casos de violência sexual contra pessoas do sexo feminino, o que corresponde a 87,54% do total dos casos, 1.244, em todo o estado. Em 2025, foram notificados 7.019, ou seja, 88,61% do total de 7.921. O estupro é o tipo de violência sexual mais frequente.

No que se refere à violência contra crianças de 1 a 9 anos de idade, foram notificados, em 2026, até 17/03, 225 casos de violência física e 266 de violência sexual. Em 2025, na mesma faixa etária, houve 1.524 casos de violência física e 1.802 casos de violência sexual.

Já na faixa etária de 10 a 14 anos, em 2026 as notificações por violência sexual já chegam a 288 casos, dos quais 261 contra vítimas do sexo feminino, ou seja, 90% dos casos. Em 2025, na mesma faixa etária, foram registrados 1.840 casos de violência sexual, dos quais 1.656 contra vítimas do sexo feminino, 90% do total.

Acolhimento a vítimas de violência

O atendimento a quem sofre violência tem sido uma preocupação crescente da Secretaria de Estado de Saúde. A SES-RJ lançou recentemente o Manual estadual de atenção integral à saúde das pessoas em situação de violência, com orientações para gestores municipais, coordenadores de serviços e profissionais de saúde.

A notificação dos casos suspeitos ou confirmados de violências é um documento sigiloso da Vigilância Epidemiológica e, portanto, não representa uma denúncia. Por sua vez, inicia na rede de atenção  a inclusão das meninas e mulheres na linha de cuidado e articula a proteção necessária a cada caso.

“As mulheres, assim como toda pessoa que sofre violência, precisam encontrar, na Atenção Primária, que está nas clínicas da família, postos e centros municipais de saúde, em todo o estado, os cuidados e as orientações para ingressar na rede de proteção, em articulação com a Secretaria de Estado da Mulher e a Secretaria de Estado de Assistência Social”, completa a superintendente.

A SES-RJ tem promovido capacitações das Secretarias Municipais de Saúde em relação ao acolhimento a vítimas de violência. Segundo o Manual estadual de atenção integral à saúde das pessoas em situação de violência, a mulher que sofreu agressão deve ser orientada, na unidade de saúde, a fazer o boletim de ocorrência em uma delegacia, embora não seja obrigada a isso, tendo seus direitos preservados. A unidade de saúde deve alertar a segurança pública sempre que perceber que a vítima corre risco de vida.

No caso de idosos, a unidade aciona o Conselho do Idoso. Se a vítima for criança ou adolescente, o Conselho Tutelar deve ser acionado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Theo Vieira
Pós graduado em História do Brasil pela Universidade Candido Mendes e Graduado em Comunicação Social, com habilitação para Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida. Atua como jornalista e apresentador dos programas “Super Manhã” de Segunda a Sexta das 5h às 07h e o “Sabadão da Nossa Rádio”, todos os Sábados de 09h ao meio dia, pela Nossa Rádio FM.