Lucas Pinheiro Braathen faz história e conquista a primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno

Lucas Pinheiro Braathen fez história. No sábado (14), o atleta conquistou a medalha de ouro na prova de esqui alpino – Slalom Gigante dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, na Itália, e se tornou o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha na competição.

Lucas, nascido em Oslo, capital da Noruega, é filho de norueguês com uma brasileira e já há algum tempo optou por representar o Brasil.

No sábado (14), ele deu um verdadeiro show em sua primeira descida, marcando o tempo de 1m13s92, assumindo a liderança da prova entre os 81 competidores. Na segunda e decisiva descida, ele também foi muito bem, com 1m11s08, com o somatório de 2m25s.

Com isso, ele superou os suíços Marco Odermatt, que fez 2m25s58, e Loic Meillard, com 2m26s17, que completaram o pódio.

O atleta se tornou não apenas o primeiro atleta do Brasil a conquistas uma medalha em Jogos de Inverno, como também de toda a América do Sul.

Depois de fazer história, Lucas Pinheiro Braathen pode voltar a conquistar medalhas nas Olimpíadas, já que ele volta a competir na segunda-feira (16), quando disputa as provas de slalom.

Pouco após conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, na Itália, Lucas Pinheiro Braathen falou as suas primeiras palavras como novo campeão olímpico.

Em entrevista à TV Globo, o atleta, nascido em Oslo, capital da Noruega, mas que representa o Brasil por conta de sua mãe, não escondeu a emoção por tudo o que conseguiu neste sábado (14).

“Inexplicável. É totalmente inexplicável. Não sei como botar palavras nas minhas sensações agora. Só queria compartilhar que provavelmente esta todo mundo assistindo no Brasil, acompanhando e torcendo. Isso pode ser uma fonte de inspiração para crianças da próxima geração, nada é impossível, não importa onde você está, suas roupas, cor da pele, o que importa é o que esta aqui dentro. Esquiei com a força brasileira aqui do coração.”

Questionado sobre como foi a segunda descida, que o fez garantir o ouro depois de fazer o melhor tempo na primeira descida, Lucas relatou as dificuldades, mas se mostrou aliviado que tudo deu certo.

“Foi uma guerra. Eu tava puxando, o ‘flow’ para descer no ritmo bem rápido. Claro que como a gente falou, entre as descidas, a neve é completamente diferente. Precisei ajustar, achei o balanço, estava esquiando com o coração. Quando você esquia do jeito que você é, isso é possível.”

E agora oficialmente figurando no hall de ídolos esportivos do Brasil, o atleta manteve a humildade e, provavelmente ainda sem “cair a ficha”, preferiu não se colocar ao lado de lendas como Ayrton Senna, Pelé e Ronaldo: “A única coisa que importa é que eu continuo a ser quem eu sou. Eu sou um esquiador brasileiro que virou campeão olímpico.”

Com o ouro no peito, Lucas voltará a competir nos Jogos de Inverno na próxima segunda-feira (16), em busca de uma medalha também no slalom.

Lucas Pinheiro Braathen escreveu seu nome na história das Olimpíadas de Inverno neste sábado (14) ao conquistar a medalha de ouro no slalom gigante em Milano-Cortina 2026. É a primeira vez que um brasileiro e qualquer representante da América do Sul sobe no pódio na competição.

Lucas Pinheiro disputa os Jogos Olímpicos pela primeira vez representando o Brasil, depois de ter defendido a bandeira da Noruega em Pequim-2022. Ele é filho de mãe brasileira (Alessandra Pinheiro) e pai norueguês (Lucas Braathen), que foi seu mentor no esqui.

“As crianças norueguesas começam a praticar muito cedo. O esqui alpino na Noruega é como o futebol no Brasil. Na Noruega, dizemos que o norueguês nasce com esquis nas pernas, mas isso não foi o meu caso. Eu não gostava nada de esqui”, contou Lucas, à ESPN, em 2024.

Os pais do esquiador se separaram quando ele era criança, e a guarda ficou com o pai. Ainda que não amasse a modalidade de inverno, Lucas se mostrou um prodígio para o esporte e fez história neste sábado (14), após acumular vários resultados importantes no ciclo olímpico.

A história, contudo, poderia ser bem diferente, já que Lucas sempre preferiu o futebol. Muito por influência dos vídeos de Ronaldinho Gaúcho. Seu clube do coração é o São Paulo.

“Foi um vídeo dele (Ronaldinho), quando eu tinha cinco ou seis anos, que fez o meu amor crescer pelo futebol. Eu fui para o computador do meu pai aprender técnicas, jeito de tocar na bola, e eu sempre estava assistindo os jogadores brasileiros, futebol arte. Eu vi um vídeo do Ronaldinho, fui direto para meu pai e falei que iria virar o melhor jogador de futebol do mundo. O meu primeiro amor foi o futebol. Não foi o esqui”, relembrou ele, no “Bola da Vez” da ESPN, em 2025.

“Eu não gostava nada de esquiar. É frio, são muitas roupas, bota, plásticos, dói sua perna. Eu gostava de praia, de calor, de mar, então eu não tenho ideia de como virei um esquiador alpino”, contou.

O carinho pelo São Paulo e a história na Noruega, inclusive, já motivou um momento curioso, de Lucas pedindo que seu “compatriota” Erling Haaland, atacante do Manchester City, fosse ao Brasil para vestir a camisa tricolor.

“Erling Haaland, vem para o Brasil, vem para o São Paulo! Não vai ser bom para a sua dieta, mas a gente fica de olho, vai dar tudo certo”, brincou.

Outro momento curioso da vida de Lucas relacionado ao futebol aconteceu quando ele conheceu Ronaldo Fenômeno, que não pode acreditar no que era o talento do esquiador.

“Ele me perguntou o que eu fazia, mas eu não sabia o que dizer, então falei: ‘Sou um esquiador profissional’. O Ronaldo riu e disse: ‘Cara, fala a verdade, qual é o seu trabalho?’ Aí eu: ‘É sério, disputo a Copa do Mundo’. E o meu amigo acrescentou: ‘Sim, Ronaldo, ele é um esquiador de verdade’. Foi uma experiência bem especial”, relembrou.

Lucas é fã de Bossa Nova e Jorge Ben Jor, fala português fluente, aprendido desde a infância com a mãe, e gosta de surfar e comer churrasco, como bom brasileiro.

Outro laço forte com o Brasil é sua namorada, a atriz Isadora Cruz, que é uma das protagonistas da atual novela das sete da TV Globo, “Coração Acelerado“.

Foi o Brasil, inclusive, que motivou Lucas Pinheiro Braathen a retornar ao esqui, já que ele considerou a aposentadoria enquanto ainda representava a Noruega. A nova bandeira o deu novo impulso na carreira e, nos últimos dois anos, representando as cores verde e amarela, ele conquistou 10 medalhas em Copas do Mundo, no slalom slalom gigante.

Além do slalom gigante, na qual ficou com o ouro, o brasileiro ainda tem mais uma chance de pódio em Milano-Cortina, já que disputa o slalom na segunda-feira (16).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Theo Vieira
Pós graduado em História do Brasil pela Universidade Candido Mendes e Graduado em Comunicação Social, com habilitação para Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida. Atua como jornalista e apresentador dos programas “Super Manhã” de Segunda a Sexta das 5h às 07h e o “Sabadão da Nossa Rádio”, todos os Sábados de 09h ao meio dia, pela Nossa Rádio FM.