Coluna do Victor Martins/Quando o IPTU vira surpresa: a taxa do lixo e o peso de governar pelo boleto

Por Victor Martins

A Prefeitura de Cabo Frio encontrou uma forma silenciosa e nada pedagógica de aumentar a conta do morador: embutiu uma taxa do lixo no valor do IPTU. O resultado foi imediato. Em alguns casos, o carnê chegou com reajustes que beiram 80%, sem aviso claro, sem diálogo e sem melhoria perceptível no serviço prestado.
Na prática, o cidadão não recebeu uma explicação, recebeu um susto. E governar pelo boleto, sem conversa com a população, é uma escolha política. Não se trata apenas de criar uma taxa, mas de como ela é aplicada e de quem paga a conta.
O discurso oficial fala em adequação à legislação. Mas a realidade do morador é outra: pagar mais por um serviço que continua falhando. Em diversos bairros, a coleta segue irregular, a varrição é insuficiente e a coleta seletiva ainda é promessa. A pergunta é inevitável: o que justifica um aumento tão expressivo no IPTU se a cidade não entrega mais qualidade? E a coleta do lixo já não é uma OBRIGAÇÃO da prefeitura?
Ao embutir a taxa do lixo no IPTU, a Prefeitura diluiu o debate e dificultou a compreensão da cobrança. Muitos moradores só perceberam o aumento quando o carnê chegou em casa. Isso não é transparência, é conveniência administrativa às custas da população.
O prefeito precisa explicar:
• Por que optou por incluir a taxa no IPTU, e não cobrá-la de forma separada e clara?
• Como a Prefeitura chegou a valores tão elevados em alguns imóveis?
• Onde estão as melhorias concretas prometidas com essa arrecadação?
• Qual o retorno real para quem vive nos bairros mais esquecidos?
O cabofriense não aceita ser surpreendido, não aceita não ter a oportunidade de discutir sobre o assunto e ser apenas penalizado e ignorado. Algo que foi votado nos últimos dias de 2025, pela câmara para já entrar em vigor no início de 2026? Aonde estão as associações de moradores, associações hoteleiras e comerciais? Acréscimo de imposto sem melhoria visível não é gestão responsável é transferência de ineficiência.
Se a Prefeitura quer cobrar mais, precisa entregar mais. Simples assim. E se decidiu pesar a mão no bolso do contribuinte, tem a obrigação de prestar contas com clareza, números e resultados. Porque cidade não se governa no susto se governa com respeito.

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Theo Vieira
Pós graduado em História do Brasil pela Universidade Candido Mendes e Graduado em Comunicação Social, com habilitação para Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida. Atua como jornalista e apresentador dos programas “Super Manhã” de Segunda a Sexta das 5h às 07h e o “Sabadão da Nossa Rádio”, todos os Sábados de 09h ao meio dia, pela Nossa Rádio FM.