A política, às vezes, é abruptamente atravessada pela vida real. O falecimento da esposa do prefeito Dr. Serginho, que além de companheira era também um nome posto como pré-candidata a deputada estadual em 2026, impõe uma pausa obrigatória humana, respeitosa e necessária.
Antes de qualquer análise política, é preciso reconhecer a dor de uma perda. Nenhuma eleição, cargo ou projeto se sobrepõe a isso.
Mas passada a comoção inicial, a pergunta que naturalmente surge é: e agora, como fica o tabuleiro político de Cabo Frio?
Até pouco tempo atrás, o cenário parecia relativamente desenhado. Havia uma candidatura clara, apoiada pelo prefeito, capaz de orientar aliados, partidos e agentes políticos que costumam seguir o “sinal verde” do poder. Parcerias já vinham sendo costuradas, compromissos alinhavados e expectativas criadas.
Com essa ausência inesperada, abre-se um vácuo político.
Quem ocupará esse espaço?
Haverá um novo nome ungido pelo prefeito ou cada aliado seguirá seu próprio caminho?
As alianças firmadas resistirão ou veremos uma debandada silenciosa em busca de outros projetos eleitorais?
Na política, o silêncio costuma ser tão estratégico quanto o discurso. E é justamente nesse silêncio que crescem as disputas internas, as vaidades represadas e, inevitavelmente, as guerras políticas muitas vezes travadas longe dos holofotes, mas com efeitos diretos na cidade.
Cabo Frio pode estar diante de um período de reorganização forçada, em que antigas certezas deixam de existir e novas forças tentam se impor. Para alguns, é momento de cautela. Para outros, de oportunidade.
Resta saber se o prefeito conseguirá manter coesa sua base ou se o cenário eleitoral de 2026 será marcado por fragmentação, conflitos e alianças improvisadas.
Enquanto isso, a população observa. E cobra. Porque, independentemente das disputas eleitorais, a cidade continua precisando de respostas, gestão e resultados não de guerras que só interessam aos bastidores do poder.
E a pergunta que fica, inevitavelmente, é uma só: quem será o novo “coroado” pelo prefeito Dr. Serginho para a disputa de 2026?
Será o presidente da Comsercaf, cada vez mais presente no jogo político?
Será o presidente da Câmara, que conhece como poucos os bastidores do poder?
Será o ex-secretário de Educação, já testado nas urnas e nos corredores da política?
Ou será o atual secretário de Governo, que hoje concentra articulação, influência e caneta?
Enquanto isso, aliados calculam, adversários se movimentam e a cidade assiste. Porque em Cabo Frio, quando um trono fica vago, não falta quem queira sentar.
E a outra pergunta que fica é: será que ele irá recuar ou irá trabalhar para eleger um dos seus súditos sabendo que lá na frente pode haver um rompimento? Ou seria a melhor opção apoiar alguém de fora?
As cenas dos próximos capítulos prometem. E, como sempre, quem paga para ver é a população.





