O Partido Renovação Democrática (PRD) tentou registrar 18 candidatos a deputado estadual para as eleições de outubro, mas teve seus dois nomes principais barrados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ). Val Ceasa, que tenta a reeleição, e o herdeiro da Imperatriz Leopoldinense João Drumond tiveram suas candidaturas negadas por manterem supostas ligações com organizações criminosas.
Criado em 2023 a partir da fusão entre Patriota e PTB, o PRD apostou alto nos dois grandes “puxadores de voto” para ampliar sua presença na Assembleia Legislativa. E, justamente por colocar todas as suas fichas em Val e João, pode acabar saindo da eleição sem nenhuma cadeira na Casa.
Tribunal cita vínculos de João Drumond com investigados e contraventores
Neto do bicheiro Luizinho Drumond, João teve o registro de candidatura indeferido pelo TRE-RJ e, nesta quinta-feira (17), o Tribunal também rejeitou o recurso apresentado para tentar reverter a decisão.
E o julgamento considerou uma série de elementos ligados ao próprio candidato — e não apenas à sua ascendência. Entre eles estão relatórios de inteligência e provas obtidas durante a Operação Trampo, da Polícia Federal, além de registros sobre a presença de Drumond em áreas sob domínio do Comando Vermelho.
A defesa alegou que o jovem teria sido responsabilizado por fatos praticados por terceiros, além de apontar contradições e omissões na decisão. O colegiado rejeitou os argumentos, e João já anunciou que vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Val Ceasa é acusado de impedir demolição de mansão do traficante ‘Peixão’
Já o deputado estadual Val Ceasa teve o registro negado por manter uma suposta ligação com o Terceiro Comando Puro (TCP), facção que atua no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio.
Um dos pontos citados no processo é a atuação do deputado para tentar obter informações sobre a demolição do chamado “resort do Peixão”, imóvel atribuído ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa. Segundo o Ministério Público, Val teria procurado a Polícia Militar para saber detalhes de uma operação que era mantida em sigilo.
A suspeita é de que o deputado tenha tentado impedir a demolição. Para isso, ele teria alegado que o imóvel seria usado para a “prestação de serviços sociais”.
O caso acabou chegando à Justiça Eleitoral durante a análise do registro de candidatura de Val Ceasa e o TRE-RJ decidiu, por unanimidade, barrar a tentativa de reeleição do deputado.
E não sobrou só para Val. Durante o julgamento, os desembargadores também decidiram enviar as peças do processo ao Ministério Público Eleitoral para que seja apurado se o próprio PRD teve alguma responsabilidade ao lançar um candidato alvo de investigação policial para a disputa.
Val Ceasa também pode recorrer ao TSE mas, até lá, o partido deverá seguir na disputa sem seus principais nomes.
Por Tempo Real
