A queda de idosos tem provocado impacto crescente nas internações e nos custos da rede pública de saúde no Estado do Rio de Janeiro. Estudo inédito feito pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), com dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS), mostra que o número de hospitalizações nessa faixa etária passou de 6.912, em 2015, para 13.539, em 2025 — aumento de 95%. Os gastos com essas internações também cresceram de forma significativa: saíram de R$ 10,5 milhões para mais de R$ 36 milhões, alta de 242% no comparativo entre os anos. Recentemente, a SES-RJ divulgou o Plano Estadual de Saúde da Pessoa Idosa, que estabelece metas para atendimento digno de pessoas acima dos 60 anos no estado.
De acordo com o levantamento da Coordenação de Vigilância e Promoção da Saúde da SES-RJ, as quedas de pessoas acima dos 60 anos resultaram em mais de 106 mil internações ao longo dos últimos dez anos. No período, os gastos hospitalares superaram R$ 216 milhões na rede SUS do estado. Os dados também evidenciam a progressiva elevação desses indicadores. Em 2015, foram 6.912 internações. Três anos depois, passaram para 8.573. Em 2022, as internações chegaram a 11.308 e superaram a casa de 13 mil, em 2025.
O estudo também revela aumento na gravidade dos casos atendidos, em especial na necessidade de cirurgias, internações em UTI e reabilitação. O crescimento das internações e dos custos hospitalares no atendimento a esse público reflete não apenas o envelhecimento da população, mas também a maior longevidade desse grupo. Os dados são fundamentais para orientar o planejamento da rede assistencial, com serviços e protocolos específicos para esse público.
Ao todo, a Secretaria analisou dados de 156 hospitais da rede municipal, estadual e federal no período de 2015 a 2025. Entre eles, o Hospital Estadual Alberto Torres (São Gonçalo), o Hospital Estadual Getúlio Vargas (Penha), o Hospital Estadual Azevedo Lima (Niterói) e o Hospital Estadual Roberto Chabo (Araruama). Das unidades da rede estadual, o Alberto Torres registrou o maior número de internações: 5.235, ao custo de R$ 15 milhões.
Idosos têm hospital de referência e cuidado especializado no estado
Para atender à população com 60 anos ou mais, a Secretaria de Estado de Saúde possui hospital de referência. O Hospital Estadual Eduardo Rabello, na zona Oeste do Rio, é referência em geriatria no estado e conta com 100 leitos, sendo sete de UTI. A unidade realiza mais de 27 mil consultas e 275 mil exames por ano e possui 15 especialidades, dentre elas: cardiologia, geriatria, ginecologia, oftalmologia e ortopedia.
No Hospital Estadual Azevedo Lima, no Alberto Torres e no Getúlio Vargas há um protocolo especial de atendimento ao idoso. O objetivo é acelerar a cirurgia de fratura de fêmur em até 48 horas. A unidade possui o Centro de Trauma que oferece abordagem multidisciplinar, envolvendo clínica médica, cardiologia, anestesiologia e medicina intensiva.
Segundo o coordenador da ortopedia do Hospital Estadual Azevedo Lima, Eduardo Kastrup, o principal objetivo do atendimento é diminuir o tempo de internação e, consequentemente, evitar complicações decorrentes da internação, como pneumonia, infecção urinária, trombose e infecção hospitalar. O serviço reduziu o tempo de hospitalização pela metade.
A fratura do fêmur proximal (quadril) é a mais comum nos idosos, geralmente causada pela osteoporose.
Plano Estadual do Idoso prevê capacitação de profissionais para prevenção de quedas
O Plano Estadual de Saúde da Pessoa Idosa estabelece metas para atendimento digno de pessoas acima dos 60 anos no estado. O documento, que pode ser acessado no portal da Secretaria, define metas e diretrizes para a promoção do envelhecimento saudável no estado, entre elas a Caderneta do Idoso a 100% dos municípios e a qualificação de profissionais para a prevenção de internações hospitalares por quedas e fratura de fêmur, além de ampliar a atenção primária à saúde e os cuidados paliativos a esse público.
De acordo com o Censo do IBGE de 2022, o Estado do Rio de Janeiro possui uma das maiores populações de idosos do país, com 60 anos ou mais. São 3.025.629 pessoas, sendo 1.763.244 mulheres e 1.262.385 homens, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul. Os avanços tecnológicos, as melhorias sociais e as mudanças no estilo de vida aumentaram a expectativa de vida dos idosos.
