O advogado Admar Gonzaga, que atualmente é o responsável pela defesa de Anthony Garotinho e tenta salvar sua candidatura ao governo do estado pelo Republicanos, votou no passado contra o próprio cliente. Enquanto atuava no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — onde foi ministro substituto de 2013 a 2017 e titular até 2019 — Gonzaga foi a favor da inelegibilidade do ex-governador.
Em 2018, Garotinho foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa, acusado de envolvimento num esquema que desviou R$ 234,3 milhões da Secretaria Estadual de Saúde. Ele teria influenciado na contratação, sem licitação, da ONG Pró-Cefet para o projeto “Saúde em Movimento”.
O TSE dediciu, por unanimidade, barrar a candidatura de Garotinho em 2018. Uma das razões foi justamente essa condenação. Durante o julgamento, em setembro daquele ano, Admar Gonzaga destacou a gravidade do caso:
“Muito além do favorecimento e do enriquecimento ilícito de terceiros, houve proveito próprio, porque ONGs que foram favorecidas fizeram aportes à campanha para candidatura à Presidência da República [em 2006].”, disse o agora advogado, que busca colocar por terra a tese da inelegibilidade.
O registro da candidatura de Garotinho às eleições de outubro está sendo contestado por três ações de impugnação, uma delas movida pela coligação do principal adversário, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD).
Trânsito em julgado e tese da defesa
Garotinho recorreu da sentença do Tribunal de Justiça do Rio, mas não obteve êxito, e a ação transitou em julgado em agosto de 2026. Recentemente, no último dia 10, o juiz Ricardo Cyfer, da 4ª Vara da Fazenda Pública do TJRJ, determinou a execução do cumprimento da pena.
A sentença prevê a suspensão dos direitos políticos por 8 anos, proibição de fechar contratos com o poder público, devolução dos R$ 234,4 milhões desviados (valor histórico) e pagamento de multa civil de R$ 500 mil.
Agora assumindo a defesa do político, Admar Gonzaga apresenta a tese de que a condenação já havia transitado em julgado do ponto de vista jurídico em 1º de agosto de 2018 — ou seja, antes mesmo do julgamento no TSE do qual ele próprio participou.
“Os recursos seguintes foram inadmitidos por intempestividade, de modo que as decisões posteriores dos Tribunais Superiores possuem natureza meramente declaratória e efeitos anteriores. A suspensão dos direitos políticos, portanto, se exauriu em 1º de agosto de 2026”, defende Gonzaga.
Em nota, a defesa afirmou ter “convicção” de que o ex-governador está com seus direitos políticos totalmente preservados, confiando que essa condição será confirmada pela Justiça Eleitoral no momento do julgamento do registro de sua candidatura ao governo fluminense.
Com informações de Isadora Teixeira, da coluna Grande Angular, do portal “Metrópoles”
