Deputada eleita foi convocada para reforçar a comunicação digital do petista, mas mensagens antigas com ataques a igrejas evangélicas provocaram uma crise de imagem.

A tentativa de Lula de reforçar sua presença nas redes sociais começou com um constrangimento inesperado. Ana Elisa Santos Silva, deputada federal eleita pelo PT em Minas Gerais, foi chamada para contribuir com a estratégia digital da campanha no segundo turno. Entretanto, antes mesmo de consolidar sua atuação na equipe, passou a enfrentar uma onda de críticas após a divulgação de antigas publicações atribuídas a ela.

Entre as mensagens resgatadas estão comentários de 2023 com referências ao fechamento de igrejas evangélicas e ao chamado “kit gay”. Em outra publicação, de maio de 2026, ela teria defendido a retirada da isenção de impostos das igrejas evangélicas. Também repercutiu uma mensagem em que atacava duramente a bancada evangélica durante a discussão sobre o aborto.
O conteúdo, considerado ofensivo por críticos e classificado por adversários como discurso de ódio contra cristãos, provocou forte reação nas redes sociais. O episódio ganhou ainda mais repercussão porque a parlamentar foi recrutada justamente para ajudar Lula a ampliar seu alcance digital e conquistar eleitores em um cenário de forte polarização.
A polêmica também envolve uma publicação de 2022 na qual Ana Elisa supostamente pediu que Lula fechasse igrejas. Ela negou a autoria desse post específico e afirmou que a imagem divulgada seria falsa. No entanto, uma reportagem do jornalista Eli Vieira, publicada em 9 de outubro, apontou a existência de registros arquivados de outras mensagens semelhantes, publicadas em anos diferentes.
Após a repercussão, o perfil de Ana Elisa no X foi desativado. A parlamentar atribuiu a situação aos ataques e às ameaças que afirma ter recebido, enquanto críticos interpretaram o episódio como uma crise política para a campanha petista.
O constrangimento é evidente: ao tentar importar para a campanha a força de uma influenciadora digital, Lula acabou colocando no centro do debate publicações que podem dificultar justamente o diálogo com parte do eleitorado religioso. Para um candidato que precisa ampliar sua base de apoio, a escolha de seus porta-vozes digitais pode se transformar em um problema tão grande quanto a própria estratégia que pretendia solucionar.
