Os cães podem contribuir para o cuidado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ao estimular a interação, reduzir o estresse e criar vínculos. A abordagem foi apresentada em ação realizada na segunda-feira (28) no Centro Estadual de Diagnóstico para o Transtorno do Espectro Autista (CedTEA), unidade da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) na Gávea, que reuniu diferentes experiências de Serviço Assistido por Animais.
A iniciativa foi promovida pelo Cãonexão Saúde RJ, que já desenvolve ações no CedTEA desde junho, reuniu também equipes de Cinoterapia do Batalhão de Ações com Cães (BAC) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) e do projeto Amigão Cão, da Guarda Municipal de Mangaratiba.
O Serviço Assistido por Animais envolve planejamento, objetivos definidos e cuidados específicos para garantir o bem-estar das pessoas e dos animais. Entre os critérios para a participação dos cães estão temperamento, sociabilidade e capacidade de responder a diferentes estímulos.
“A experiência com cães nas unidades de saúde da rede estadual tem trazido bem-estar e benefícios aos pacientes, ajudando-os a encarar o processo de cura com leveza”, destacou a idealizadora e coordenadora do Cãonexão, Danielle Cristo, acompanhada do golden retriever Rudá, um dos seis cães que fazem parte do projeto da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro.
Conhecida principalmente pela atuação dos cães em operações policiais, a PMERJ também mantém uma frente social de cinoterapia — terapia assistida com cães — no Batalhão de Ações com Cães (BAC). “A cinoterapia trabalha mais o lado social, que é muito importante, além de ser um tratamento com melhoras substanciais nas crianças. O animal torna-se um elo”, explicou a comandante da seção Médica Veterinária, tenente-coronel Priscila Naurath.
O BAC participou da ação com a labradora Bella. Segundo a capitã Vivian Almeida, médica veterinária, os animais precisam estar com a saúde em dia, com vacinação e cuidados preventivos atualizados. O temperamento dócil e a facilidade de interação também são fundamentais.
Para a diretora administrativa e de RH do CedTEA, Sayra Casanova, a presença dos cães contribui para tornar o ambiente mais receptivo às famílias. “Os cães na unidade têm trazido um alívio para as famílias. As crianças apresentam uma diminuição do estresse e recebem um apoio emocional muito grande”, afirmou.
O CedTEA realiza o diagnóstico de crianças a partir de 18 meses e adolescentes de até 17 anos. O processo envolve de seis a oito encontros com uma equipe multiprofissional até a emissão do laudo.
O projeto Amigão Cão, de Mangaratiba, também participou da atividade. O coordenador do Grupamento de Ações com Cães da cidade, André Lopes, levou o labrador Zuma e compartilhou experiências sobre o uso dos animais como ferramenta de aproximação.
“O cão é a ponte entre o assistido e o terapeuta”, contou.
O Cãonexão Saúde RJ também realiza visitas com cães voluntários no Centro Psiquiátrico Rio de Janeiro (CPRJ), na Gamboa, no Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IECPN), no Centro, no Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense (Onco Baixada) e no Hospital Estadual Dr. Ricardo Cruz (Hercruz), ambos em Nova Iguaçu.
