PATRIMÔNIO ESTADUAL, FLIP 2026 REFORÇA O RJ COMO PONTO DE ENCONTRO DA LITERATURA INTERNACIONAL

Autores iniciantes e consagrados se encontram, a partir de quarta-feira (22/07), na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), declarada patrimônio histórico, cultural e imaterial pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) através da Lei 9359/21. Com uma programação que reúne intelectuais, pesquisadores e leitores de diferentes países, o evento reafirma o protagonismo fluminense na promoção da cultura e da literatura.

A edição de 2026 homenageia a poeta paulista Orides Fontela, com uma programação principal de 21 mesas inspiradas em versos de sua obra. Também participam da organização 44 casas parceiras, ampliando o alcance do festival para além das discussões oficiais; nomes internacionais, como a britânica Zadie Smith; e de nacionais best-sellers, como a paulista Andréa del Fuego. Com isso, a Flip torna Paraty um ponto de encontro de autores independentes de todo o território fluminense.

É o caso de Dora Lutz, escritora de Em minhas veias corre uma formiga (2024), que mediará a mesa “Poesia e tempo: Reinventar-se”, realizada no próximo sábado (25/07) na Casa Pagã. A jovem é coorganizadora do Sarau Ruídos, com encontros realizados semanalmente na capital fluminense, e pretende ampliar o contato com artistas e leitores de diferentes gêneros e localizações que encontram em Paraty o mais influente encontro literário do país.

“Já acompanho algumas pessoas de outros estados à distância, pelas redes sociais, e há algo sempre muito especial em conhecer pessoalmente indivíduos que até então eram só uma imagem, quase fictícia. Por cinco dias, a bolha literária se concentra na mesma cidade, andando lado a lado, vivenciando as mesmas chuvas, o mesmo sol escaldante e se deparando com autores que raramente têm a oportunidade de conversar em um mesmo espaço”, comenta Dora.

Vozes fluminenses

Segundo Dora, há um crescente interesse do público por novos autores, o que se reflete também nas mudanças curatoriais e nos temas propostos nas mesas do evento. A Flip de 2026 traz expoentes nomes da literatura, crítica literária e do jornalismo fluminense que redesenham o debate sobre a arte nacional.

A primeira mesa da programação oficial conta com a participação da premiada poeta carioca Marília Garcia, considerada uma das vozes mais originais e expressivas da poesia contemporânea. Já a escritora Paloma Vidal, que nasceu na Argentina e foi radicada no Rio de Janeiro desde a infância, apresenta seu novo livro O lado de lá (2026) na mesa “A saída é a volta”.

Outros nomes ganham destaque na programação paralela do evento, como o escritor carioca Carlos Eduardo Pereira, autor de obras de destaque na literatura negra contemporânea, que estreou com o romance Enquanto os dentes (2017) e vai participar da mesa sobre os limites dos gêneros literários na Casa Sesc. Presença também confirmada, a escritora e jornalista carioca Eliana Alves Cruz, consagrada por seus romances históricos e de ficção afrofuturista, irá integrar a programação da Casa Record.

Impacto na economia local

Além da relevância cultural, a festa movimenta o turismo e a economia de Paraty. Na edição anterior, o evento recebeu cerca de 34 mil visitantes e registrou a venda de aproximadamente 20 mil livros na livraria oficial.

Segundo os organizadores da Flip, a escolha de realizar o evento em julho é estratégica. Tradicionalmente considerado um período de menor movimento turístico na cidade, devido ao inverno, o mês foi escolhido para transformar a festa em um indutor da economia local, criando uma segunda alta temporada em Paraty.

A expectativa é ampliar o fluxo de visitantes e fortalecer setores como hotelaria, gastronomia, comércio, transporte e serviços, além de gerar oportunidades de trabalho temporário e aumentar a circulação de renda no município. Para a organização, a realização da festa nesse período reforça o papel da cultura como vetor de desenvolvimento econômico e turístico, consolidando Paraty como um dos principais destinos de turismo cultural do país.

Democratização do acesso à literatura

Além de impulsionar a economia local, a Flip também aposta em iniciativas para ampliar o acesso do público à literatura e às atividades da programação. De acordo com a organização do evento, cerca de 30% dos ingressos para as mesas do Auditório da Matriz são gratuitos ou comercializados a preços populares, com o objetivo de tornar a programação mais acessível.

A festa ainda oferece uma extensa programação gratuita em diferentes espaços de Paraty, como praças, ruas e casas parceiras, permitindo que moradores e visitantes acompanhem debates, lançamentos de livros, oficinas, apresentações artísticas e outras atividades sem a necessidade de ingresso.

Outra iniciativa voltada à inclusão é a oferta de transporte gratuito para moradores de comunidades da região, facilitando o acesso às atividades e incentivando a participação da população local. Parte da programação também é transmitida pela internet, ampliando o alcance do evento para leitores de todo o país.

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O jornalista Juarez Volotão apresenta o Programa “Falando Francamente Com Você”, de segunda a sexta, às 7h e 30 na Nossa Rádio 102,5 FM e também escreve para O Dia Búzios.