Armação dos Búzios, na Região dos Lagos fluminense, vive uma virada em sua principal engrenagem econômica. Conhecido internacionalmente pelo charme de suas praias, o balneário agora colhe os frutos de uma estruturação técnica voltada ao turismo LGBT+. O segmento, que antes ocupava um espaço informal na cidade, transformou-se em um mercado estratégico e rentável, atraindo investidores e redes hoteleiras que enxergam na diversidade uma das maiores forças de consumo da atualidade.
De acordo com dados da LGBT+ Turismo Expo, este segmento cresce cerca de 11% ao ano — o dobro do turismo convencional. Além disso, levantamentos da Associação Internacional de Viagens LGBTQ+ (IGLTA) apontam que esse público viaja até quatro vezes mais por ano e possui um ticket médio superior à média geral, o que ajuda a combater a sazonalidade e a manter hotéis e comércios movimentados mesmo fora da alta temporada.
Essa engrenagem começou a ganhar forma no passado, graças ao pioneirismo de Fernando Bertozzi. Quando tinha 19 anos, ele idealizou e colocou a primeira Parada LGBT+ de Búzios na rua. O que começou como uma iniciativa local transformou-se em anos de pesquisa e desenvolvimento de mercado, conectando o potencial natural do balneário às demandas desse público. Ao longo de 12 anos, o movimento gerou frutos que hoje fazem parte do calendário da cidade, como o bloco carnavalesco “Veadinhos de Búzios”, festas exclusivas e, principalmente, uma estrutura de capacitação dentro do turismo. O próximo marco dessa jornada acontece no dia 12 de julho, quando a 11ª Parada do Orgulho LGBT+ de Búzios passará, pela primeira vez, pela Orla Bardot e pela Rua das Pedras, os pontos centrais do município.
Para sustentar o fluxo de viajantes exigentes, o foco atual está na qualificação do comércio local. Bertozzi tem liderado treinamentos rigorosos direcionados a hoteleiros, proprietários de pousadas e agências de turismo receptivo da Região dos Lagos. As capacitações preparam a rede de atendimento com base em conceitos modernos de hospitalidade, legislação, direitos e segurança, eliminando o amadorismo e transformando o acolhimento em uma política de excelência de mercado. Todas essas ações são lideradas pela ONG Cores de Búzios, que atua com a população LGBT+ da cidade.
“Técnico capacita técnico. Muitas vezes o turismo é tratado com base no improviso, mas quando falamos de turismo LGBT+, a qualificação precisa ser profunda. Não basta vivência ou boa intenção; é preciso compreender conceitos, legislação, território e impactos econômicos. Sem isso, corremos o risco de reproduzir achismos. O turismo não se constrói com improviso, mas sim com conhecimento técnico e planejamento”, afirma Fernando Bertozzi, turismólogo formado pela UNIRIO e presidente da Associação Cores de Búzios.
Mais do que o potencial financeiro, o que o turista LGBT+ busca em uma viagem é a liberdade de ser quem é em um ambiente seguro. Em Búzios, esse reflexo é prático: com índices de discriminação expressivamente baixos, a cidade consolidou-se como um refúgio de respeito, onde casais homoafetivos desfrutam livremente das praias, da Orla Bardot e da Rua das Pedras com a segurança que todo visitante merece.






