Ofensiva à direita: PL pede que mesa diretora da Alerj reduza a influência da esquerda no comando das comissões

O deputado Filippe Poubel, líder do PL na Assembleia Legislativa (Alerj), encaminhou um pedido formal para que a mesa diretora da casa revise a composição das comissões permanentes.

O parlamentar lembra que a organização dos colegiados deve obedecer a proporcionalidade das bancadas, conforme estabelecido pelo regimento interno.

Durante a janela partidária, no começo de abril, embora tenha perdido Célia Jordão para o PSD, o PL ampliou sua vantagem como a maior bancada da casa. O número de deputados da legenda saltou de 18 para 23 parlamentares, com o reforço de Rodrigo Amorim, Pedro Ricardo, Marcelo Dino, Fred Pacheco, Chico Machado e Jorge Felippe Neto. O PL responde hoje por 32,86% da Alerj.

“A estrita observância desse dispositivo é essencial para garantir a legitimidade democrática na distribuição das vagas, assegurando que a representação dos partidos nas comissões reflita fielmente a vontade popular expressa nas urnas e a correlação de forças políticas desta casa”, argumenta Poubel.

Além dos critérios técnicos, claro, existe a política.

A atual distibuição das vagas em comissão foi feita pelo ex-presidente Rodrigo Bacellar (União). Feliz e grato por ter sido o primeiro eleito por unanimidade para o posto mais alto da Alerj, Bacellar inflou a participação dos partidos de oposição na composição (e na presidência) dos colegiados.

Para selar os acordos que levaram à votação unânime, Bacellar entregou a presidência de 11 comissões aos partidos mais à esquerda. O PSOL, que tem cinco deputados, por exemplo, ficou com cinco presidências. Já o União, com os mesmos cinco deputados, só tem o comando de dois colegiados.

Além disso, agora o cenário mudou. O presidente, Douglas Ruas (PL) foi eleito apenas por parlamentares de sua base. Capitaneada pelo PSD do ex-prefeito Eduardo Paes, a oposição, incluindo os partidos de esquerda, abandonou o plenário da Alerj, tentando, sem sucesso, obstruir a votação.

Dança das cadeiras nas comissões já começou

As mudanças na composição das comissões em decorrência da janela partidária já começaram, ainda que de forma tímida.

Na de Orçamento, a segunda mais importante da Alerj, o ex-presidente André Corrêa e Vinicius Cozzolino, ambos agora no PSD, perderam suas vagas, respectivamente, para Gustavo Tutuca (PP) e Bruno Dauaire (União).

O que diz o regimento interno da Alerj

Segundo o artigo 23 do regimento interno, “na composição das comissões permanentes e temporárias deve ser obedecida, tanto quanto possível, a proporcionalidade partidária, a qual se define como o número de lugares reservados aos partidos em cada comissão”.

Assim, divide-se o número total de deputados da Assembleia pelo número de membros de cada comissão, obtendo-se, desse modo, o quociente para a representação partidária. Em seguida, divide-se o número de deputados de cada partido por esse quociente.

O resultado, abandonados os decimais, fornecerá o número dos respectivos representantes na comissão, a serem indicados pelos respectivos líderes.

Para preenchimento das vagas restantes, é preciso dividir o número de deputados de cada partido pelo número de parlamentares indicados, acrescido de uma unidade; o partido que obtiver a maior média indicará o representante para mais uma vaga.

A operação será repetida até se completar o preenchimento de todas as vagas.

Por Tempo Real

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Theo Vieira
Pós graduado em História do Brasil pela Universidade Candido Mendes e Graduado em Comunicação Social, com habilitação para Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida. Atua como jornalista e apresentador dos programas “Super Manhã” de Segunda a Sexta das 5h às 07h e o “Sabadão da Nossa Rádio”, todos os Sábados de 09h ao meio dia, pela Nossa Rádio FM.