A poucos dias do fim da janela partidária, o movimento de deputados federais já começa a redesenhar o tabuleiro político para as eleições de 2026. Levantamento da CNN Brasil, com base em dados da Câmara dos Deputados, redes sociais e informes partidários, aponta que ao menos 52 parlamentares já trocaram de legenda até este domingo.
O principal destaque até aqui é o avanço do PSDB, que registra o maior crescimento proporcional entre todas as siglas. O partido, presidido nacionalmente por Aécio Neves (MG), já filiou ao menos nove deputados federais, ampliando sua bancada e sinalizando uma retomada de protagonismo no cenário político nacional.
Entre os novos nomes está o deputado Juscelino Filho, que deixou o União Brasil para reforçar o partido. O movimento também chama atenção no Rio de Janeiro, onde o PSDB não havia eleito deputados federais em 2022 e agora passa a formar uma das maiores bancadas do estado, resultado direto da estratégia de reorganização e fortalecimento da legenda.
Em números absolutos, o maior volume de adesões é do Partido Liberal, que já soma 12 novos deputados. Entre os movimentos mais recentes está a filiação do deputado Alfredo Gaspar (AL), relator da CPMI do INSS, que deixou o União Brasil para assumir a presidência do PL em seu estado após a saída do prefeito de Maceió, JHC, que negocia filiação ao PSDB para concorrer ao governo do estado. Também migraram do União para o PL os deputados Coronel Assis (MT), Padovani (PR), Carla Dickson (RN) e Nicoletti (RR).
Apesar do crescimento numérico, o PL também registra baixas. Ao menos quatro parlamentares deixaram a sigla durante a janela, alguns deles em direção ao próprio PSDB, como o deputado Pastor Eurico (PE) que anunciou que segue apoiando a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, apesar da troca de legenda com contexto local, evidenciando um cenário de disputas internas por espaço e posicionamento político nos estados.
Já o União Brasil aparece como o principal prejudicado até o momento. A legenda acumula ao menos 14 saídas e apenas duas novas filiações, consolidando o maior encolhimento entre os partidos. Parte desse movimento é atribuída às dificuldades de acomodação política decorrentes da federação com o Progressistas, especialmente em estados onde os grupos locais atuam em campos opostos.
A movimentação ocorre em um momento decisivo de articulação política, com partidos ajustando suas estratégias regionais e nacionais. A expectativa é de intensificação das trocas nos últimos dias do prazo, à medida que alianças são consolidadas e candidaturas começam a ser definidas.
A janela partidária permite que deputados federais, estaduais e distritais troquem de legenda sem risco de perda de mandato. O período teve início em 5 de março e se encerra na próxima sexta-feira, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral.
No Senado, onde a troca partidária não depende da janela, as movimentações também seguem em ritmo acelerado. Os senadores Sergio Moro (PR) e Efraim Filho (PB) deixaram o União Brasil para se filiar ao PL, enquanto o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (MG) negocia mudança do PSD para o PSB visando as eleições de 2026.
Nos bastidores, o cenário já indica uma recomposição de forças com impacto direto na formação das bancadas e na construção das disputas eleitorais que se aproximam.
Por Brasil no Centro






