Cabo Frio (RJ) — Um relato que levanta sérias dúvidas sobre práticas comerciais no setor automotivo da Região dos Lagos vem ganhando contornos cada vez mais preocupantes. Uma cliente denuncia o não cumprimento de contrato, omissão de informações e exposição a risco à segurança após a compra de um veículo em uma loja de automóveis em Cabo Frio, às vésperas do Natal.
O caso envolve a Quintanilha Veículos, empresa de propriedade de Benes Quintanilha, e a DEJOTA COMÉRCIO LTDA, localizada no município de Iguaba Grande. A compra foi realizada em 22 de dezembro de 2025, com contrato assinado e financiamento aprovado. Mais de um mês depois, o veículo segue sem ser entregue, sem prazo definido e cercado por versões contraditórias.
Segundo a cliente, seu veículo antigo foi vendido pelo próprio lojista e utilizado como entrada na negociação. A entrega do novo automóvel estava prevista para o dia 23 de dezembro, o que nunca ocorreu. Após dias de silêncio, o vendedor informou que não poderia cumprir o combinado e ofereceu um carro “emprestado” como solução temporária.
A alternativa, no entanto, revelou-se ainda mais alarmante. O veículo cedido apresentava falhas mecânicas graves, tornando seu uso inviável. Mesmo assim, após o Natal, o carro foi recolhido pela loja sob a justificativa de reparos e devolvido dias depois, em 27 de dezembro, ainda com defeitos, sem qualquer explicação técnica ou laudo.
Somente após insistência da cliente, veio à tona a real gravidade do problema: o automóvel estava com a junta do cabeçote queimada, um defeito sério que pode causar pane total do motor, superaquecimento e até acidentes, configurando risco direto à integridade física de quem o utilizasse.
A situação se agravou quando a cliente descobriu, por meio de uma fotografia enviada pelo próprio vendedor, que o veículo comprado estava em uma oficina mecânica, o Odair Auto Center. Ao entrar em contato, recebeu inicialmente a informação de que o carro “não estava andando”. Pouco depois, a comunicação foi interrompida.
De acordo com a denúncia, o vendedor teria solicitado à oficina que não repassasse mais informações. Desde então, o estabelecimento se recusa a prestar esclarecimentos, mesmo diante do fato de a cliente ser a legítima proprietária do veículo, conforme contrato.
Até esta quarta-feira, 28 de janeiro, o carro adquirido segue sem entrega, sem previsão e sem solução concreta. A cliente relata uma sequência de prazos descumpridos, informações desencontradas e omissões relevantes, inclusive sobre questões que envolvem segurança veicular.
O caso acende um alerta para possíveis práticas abusivas e até crimes de estelionato no comércio de veículos na Região dos Lagos, especialmente quando consumidores são privados de seus bens, mantidos no escuro sobre o paradeiro de seus carros e expostos a riscos mecânicos graves.
Especialistas em direito do consumidor destacam que situações como essa devem ser formalmente denunciadas aos órgãos competentes, como o Procon, a Polícia Civil e o Ministério Público, para que padrões de conduta sejam investigados e responsabilidades apuradas.
A reportagem incentiva que outros consumidores da Região dos Lagos que tenham enfrentado problemas semelhantes com as empresas citadas, ou com qualquer loja de veículos, procurem as autoridades e façam seus relatos. Denúncias consistentes são fundamentais para proteger a população e coibir práticas que colocam em risco não apenas o patrimônio, mas a segurança de motoristas e passageiros.






